As injustiças de Clio revisitado: Clóvis Moura e a crítica da branquitude no campo historiográfico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v15i38.1841

Palavras-chave:

História da Historiografia, Pensamento Afrodiaspórico, Branquitude

Resumo

Pretendemos neste artigo esboçar as diversas interpelações de Clóvis Moura (1925-2003) a História disciplinar na obra As Injustiças de Clio: o negro na historiografia brasileira (1990). Para isto, abordaremos, em um primeiro momento, através da trajetória intelectual de Clóvis as críticas que este fez ao cânone do “pensamento social brasileiro” antes da publicação da referida obra. Em seguida, explicitaremos as principais linhas de força da obra em questão, para assim explicitar a tese de que esta é pioneira na análise marxista da branquitude e do racismo na história da historiografia.

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Biografia do Autor

Marcello Assunção, UNILA

Professor visitante de Teoria e Filosofia da História do Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História (UNILA). Pós-Doutorado em Letras Clássicas e Vernáculas FAPESP-USP (2017-2020) Possuí graduação, mestrado e doutorado em história pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Editor executivo do periódico Revista de Teoria da História. 

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Publicado

2022-04-27

Como Citar

ASSUNÇÃO, M. As injustiças de Clio revisitado: Clóvis Moura e a crítica da branquitude no campo historiográfico. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 15, n. 38, p. 231–252, 2022. DOI: 10.15848/hh.v15i38.1841. Disponível em: https://historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1841. Acesso em: 2 jul. 2022.

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Artigo original