A história tem juízo

o juiz e o inquérito como modelos de autoria e procedimento analítico na escrita historiográfica

Autores

  • Durval Muniz de Albuquerque Júnior Universidade Federal do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v13i34.1623

Palavras-chave:

história da historiografia, Lucien Febvre, método

Resumo

O texto busca evidenciar, através da análise de um autor e de um livro considerados clássicos no campo historiográfico: O problema da incredulidade no século XVI: a religião de Rabelais, de Lucien Febvre, como o campo do direito e da justiça se colocam como fontes de modelos de procedimentos de investigação, de procedimentos de análise e de argumentação, e como fornecedores de um dado método de pesquisa para os historiadores. Como o juiz é, inclusive, tomado como um modelo de autoria, como uma figura que emula o papel desempenhado pelo historiador, na investigação e na escrita da historiografia. A História teria um papel judicativo, um papel avaliativo e compreensivo, daria lugar a um processo e lançaria mão de uma série de procedimentos que lembrariam a atuação de um juiz em um processo judicial e, por que não, numa investigação policial e judiciária. Seria o historiador um juiz dos tempos, dos eventos, submetendo os personagens históricos a um julgamento? São essas as questões que o texto procura responder.

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Publicado

2020-12-10

Como Citar

ALBUQUERQUE JÚNIOR, D. M. de. A história tem juízo: o juiz e o inquérito como modelos de autoria e procedimento analítico na escrita historiográfica. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 13, n. 34, p. 17–40, 2020. DOI: 10.15848/hh.v13i34.1623. Disponível em: https://historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1623. Acesso em: 28 set. 2021.

Edição

Seção

Artigo