História como angústia: Inquietação empática e o conceito de “zona cinza”, de Primo Levi

Palavras-chave: Teoria da história, Morfologia, Testemunho

Resumo

Pretendo neste artigo apresentar um caminho de argumentação que mostre como a história pode se tornar algo pessoal, na medida em que ela gera angústia. Para chegar a esse ponto, será necessário, a partir de duas experiências concretas e pessoais da atual circunstância política brasileira, percorrer os seguintes passos: em primeiro lugar, a história se torna pessoal na medida em que ela ajuda na construção da personalidade, no sentido proposto por Johann Gustav Droysen em sua Historik, ou seja, na capacidade que o conhecimento histórico, produzido pela pesquisa ou recebido pelo seu leitor, tem em ser morfológico, ou seja, em dar unidade ao que aparece disperso. Em segundo lugar, a história pode também se tornar pessoal quando produz empatia, aqui apresentada nos termos propostos no conceito de inquietação empática, empathic unsettlement, de Dominick LaCapra. Por fim, como LaCapra indica que o conceito de zona cinza, de Primo Levi, contém em si possibilidades de inquietação empática, faço, na última parte, um exercício com tal conceito, tentando mostrar que essa variedade – aqui limitada em dois casos – convida-nos a pensar que a história se torna pessoal quando gera angústia, termo que atravessa Os afogados e os sobreviventes (1986), livro no qual há o clássico capítulo sobre a zona cinza.

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Biografia do Autor

Pedro Spinola Pereira Caldas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Professor ajdunto de Teoria e Metodologia da História da UNIRIO. Doutor em História Social da Cultura pela PUC-Rio, com tese sobre Johann Gustav Droysen. Atualmente pesquisa a obra de Primo Levi.
Publicado
2019-12-22
Como Citar
PEREIRA CALDAS, P. S. História como angústia: Inquietação empática e o conceito de “zona cinza”, de Primo Levi. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, v. 12, n. 31, p. 24-46, 22 dez. 2019.
Seção
Dossiê "O que faz da história algo pessoal?"