Pintura de uma paisagem

Porque a distância histórica não é um problema

Mark Bevir

Resumo


Este artigo argumenta que as preocupações acerca da distância histórica surgiram junto ao historicismo moderno, e que elas desapareceram com o pós-fundacionismo. O historicismo desenvolvimentista do século XIX recorreu a princípios narrativos para estabelecer a continuidade entre passado e presente, e para guiar as seleções entre os fatos. No século XX, os historicistas modernos rejeitaram tais princípios, levantando assim o espectro da distância histórica; ou seja, os efeitos distorcidos do presente em relação ao passado, o abismo entre os fatos e a narração. O problema moderno era: como os historiadores podem evitar o anacronismo e desenvolver representações precisas do passado? Ao invés de utilizar princípios narrativos para selecionar fatos, os historicistas modernos apelaram aos fatos atomizados para validar narrativas. Todavia, no final do século XX, os pós-modernos (Frank Ankersmit e Hayden White) argumentaram que não havia uma maneira de estreitar a distância entre fatos e narrativas. O problema pós-moderno tornou-se o seguinte: como os historiadores deveriam conceber suas escritas, dada a inelutável distância entre fatos e narrativas? Hoje, o pós-fundacionismo descarta as preocupações tanto modernas quanto pós-modernas com a distância histórica; isso implica que todos os conceitos (não somente históricos) fundem fato e teoria; e dissolve questões de relativismo conceitual, significado textual e reencenação.


Palavras-chave


Anacronismo; Modernismo; Pós-modernismo

Texto completo:

11-28


DOI: https://doi.org/10.15848/hh.v0i18.838

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