Iberismo e luso-tropicalismo na obra de Gilberto Freyre

  • Alberto Luiz Schneider Departamento de História. Universidade de São Paulo - USP
Palavras-chave: Brasil, História intelectual, Portugal

Resumo

O artigo discute o luso-tropicalismo, assunto que mobilizou o pensamento de Gilberto Freyre entre as décadas de 1940 e 1960. A caudalosa produção intelectual gilbertiana – marcada pela aproximação com a ditadura de António Salazar e com o esforço português de manter suas colônias na África – somente é inteligível a partir da crítica à modernidade ocidental que Freyre recolheu do pensamento espanhol de fins do século XIX e princípio do século XX. Autores como Miguel de Unamuno, Ángel Ganivet e José Ortega y Gasset refletiram sobre a especificidade da cultura ibérica, percebendo-a como substancialmente diferente da moderna tradição anglo-saxã. Para Gilberto Freyre, os ibéricos, em particular os portugueses, seriam capazes de compreender os trópicos e as suas gentes e com eles transigir, conviver e miscigenar. Tal entendimento o levou, ao menos nos seus momentos mais ideológicos, a defender e justificar o colonialismo português, apesar dos ventos descolonizadores que sopravam desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

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Biografia do Autor

Alberto Luiz Schneider, Departamento de História. Universidade de São Paulo - USP

Alberto Luiz Schneider é graduado em História pela UFPR(1997), Mestre em História pela PUC-SP (2000) e Doutor em História pela Unicamp(2005). Foi Visiting Associate Professor no Departamento de Estudos Luso-Brasileiros da Tokyo University of Foreign Studies (2004-2007). Fez Pós-Doutorado no Kings College London (2008). Atualmente é pós-doutorando no departamento de História, da USP, onde vem pesquisando a obra do historiador inglês Charles Boxer, sob supervisão da Profa Dra Laura de Mello e Souza.

Publicado
2012-08-05
Como Citar
SCHNEIDER, A. L. Iberismo e luso-tropicalismo na obra de Gilberto Freyre. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, v. 5, n. 10, p. 75-93, 5 ago. 2012.
Seção
Dossiê “Diálogos historiográficos: Brasil e Portugal”