Enredar a loucura

a “dialética dos monstros” na história da arte de Aby Warburg

Autores

  • Naiara Damas Universidade Federal de Juiz de Fora

DOI:

https://doi.org/10.15848/hh.v13i34.1683

Palavras-chave:

Aby Warburg, História da Arte, Autobiografia

Resumo

No ano de sua morte, em 1929, o historiador alemão Aby Warburg escreveu no diário de sua Biblioteca sobre a conexão que acreditava existir entre a sua vida pessoal e o seu projeto de pesquisa sobre a vida póstuma da Antiguidade. De acordo com ele, um “reflexo autobiográfico” teria feito com que sua condição como esquizofrênico se projetasse sobre o seu diagnóstico por imagens da “esquizofrenia do Ocidente”. Esse efeito especular permite ver a sua obra não apenas como um empreendimento intelectual, mas também como um espaço terapêutico fundado no entrelaçamento essencial entre sujeito e objeto. Ao transformar o seu drama psíquico num drama cultural coletivo, Warburg estabelece as condições para que a sua pesquisa acadêmica figure como um front na sua “luta contra os monstros”. Neste artigo, pretendo explorar esse reflexo autobiográfico a partir de três momentos de sua obra como psico-historiador: o ensaio sobre Lutero e imaginação astrológica; a conferência sobre o ritual da Serpente e a reflexão sobre os riscos do ofício do historiador.

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Publicado

2020-12-11

Como Citar

DAMAS, N. Enredar a loucura: a “dialética dos monstros” na história da arte de Aby Warburg. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, Ouro Preto, v. 13, n. 34, p. 41–75, 2020. DOI: 10.15848/hh.v13i34.1683. Disponível em: https://historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1683. Acesso em: 28 set. 2021.

Edição

Seção

Artigo